Governança Familiar e Sucessão no Itaú Unibanco: Lições de um Legado de 98 Anos
- Gabriela Gonçalves

- 8 de ago.
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Atualizado: 22 de ago.
A longevidade empresarial é um dos maiores desafios enfrentados por empresas familiares no Brasil. Em um país onde a maioria dos negócios familiares não sobrevive à terceira geração, o Itaú Unibanco surge como um exemplo robusto de como governança corporativa e sucessão bem estruturada podem ser os principais pilares da sustentabilidade e do crescimento.
Com quase um século de história, o Itaú Unibanco traz em sua trajetória a marca da influência de duas famílias que se tornaram ícones no mercado financeiro brasileiro: os Setúbal e os Moreira Salles. Mais do que preservar o controle de uma das maiores instituições financeiras da América Latina, essas famílias estruturaram um modelo de gestão que equilibra interesses familiares e corporativos uma engenharia delicada e eficaz.
O papel de Olavo Setúbal e a profissionalização da gestão
A consolidação da governança no Itaú tem um nome central: Olavo Setúbal. Neto do fundador do banco e ex-presidente da instituição, Olavo liderou uma das fases mais marcantes de crescimento do Itaú, apostando em aquisições estratégicas e na modernização da cultura empresarial. Sob sua liderança, o banco passou de uma estrutura familiar tradicional para um modelo corporativo com gestão profissionalizada e foco em resultados sustentáveis.
A sucessão, nesse contexto, não foi tratada como um processo espontâneo, mas como uma construção deliberada. As famílias controladoras investiram em formação técnica, planejamento jurídico e em um modelo de governança que distingue com clareza os papéis de sócios, gestores e herdeiros.
Estrutura de governança familiar: o poder que sustenta
No cerne dessa longevidade está uma governança familiar sólida, que envolve:
Conselhos de Família e Conselhos de Acionistas, com papéis definidos na mediação entre família e empresa.
Um código de conduta e valores compartilhados, que preserva a identidade organizacional mesmo com a transição de gerações.
Planejamento sucessório estruturado, que define critérios objetivos para a transição de poder e evita disputas entre herdeiros.
Além disso, há uma preocupação constante com a educação dos membros familiares, que são incentivados a buscar capacitação, experiências em outras instituições e a compreender profundamente a cultura e os desafios do negócio antes de ocuparem posições de destaque.
Profissionalização como estratégia de perpetuidade
Um dos aspectos mais admirados da trajetória do Itaú Unibanco é o grau de profissionalização alcançado mesmo sob controle familiar. A gestão executiva está nas mãos de profissionais com alta qualificação técnica, enquanto os membros das famílias atuam majoritariamente nos conselhos, com foco em visão estratégica, compliance e continuidade.
Esse modelo evita o dilema comum em empresas familiares, onde o poder é confundido com vínculo afetivo. No caso do Itaú, o mérito e o desempenho se sobrepõem ao sobrenome, fortalecendo a credibilidade da governança e a sustentabilidade do negócio.
Gestão de conflitos e visão de longo prazo
Toda empresa familiar está sujeita a conflitos especialmente quando envolve grandes patrimônios, visões distintas e diferentes gerações. O que diferencia o Itaú Unibanco é a presença de mecanismos claros de gestão de conflitos, criados justamente para prevenir rupturas prejudiciais.
Além disso, há uma cultura organizacional voltada para o longo prazo. A preservação do legado está acima de decisões imediatistas, e o crescimento é tratado como um projeto contínuo de responsabilidade social, econômica e institucional.
Um legado que inspira empresas brasileiras
Em 2023, o Itaú Unibanco foi listado pela Forbes como uma das 500 marcas mais valiosas do mundo um feito que vai além dos números. É um reconhecimento à capacidade de inovar sem perder as raízes, de crescer com responsabilidade e de manter um legado sólido em um ambiente altamente competitivo.
Para empresas familiares brasileiras que buscam longevidade, o exemplo do Itaú Unibanco revela um caminho claro: sem governança não há futuro, e sem sucessão planejada não há legado.





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